Dois mil e onze.
E em festa de final de ano, pego um papel e desejo tudo o que quero realizar - ou quero que se realize - no ano que vai nascer. É claro que nem tudo acontece, mas o fato de eu pedir me faz ter esperanças, e de certa forma, me empurra a tentar realizar todos esses desejos.
E foi nesses desejos, nesse papel que eu transformei em barco e deixei que a correnteza levasse que eu meio que realizei o que queria, e meio que não realizei o que eu tinha pedido apenas pelo fato de não querer mais.
Eu desejei tudo o que todo mundo quer - um bom trabalho, boas notas no colégio e amor. Uma grande dose de amor. Digamos que exagerei em tanto amor que pedi, que quis ter mais do que aparentemente já tinha. Pedi que ele não fosse embora, pedi que ele crescesse, pedi profundamente que no ano que estava para nascer, ele pudesse fazer com que tudo tivesse mais cor e continuasse verdadeiro, da mesma forma que pedi no ano anterior. Pedi com força e fé, derramei por ali algumas lágrimas, e não deixei que aquela carta não terminasse sem uma dedicatória, um "eu te amo" ou coisa do gênero.
Sempre desejamos que o ano que está por vir nos surpreenda, que seja o melhor ano de nossas vidas, que façamos o inimaginável e que possamos conhecer pessoas as quais mudem nossas vidas.
Neste ano, posso dizer sem dúvida alguma que vivi tudo o que pensaria que poderia não existir.
No começo do ano, amei até não poder mais, fui atrás do que já estava perdido, lutei por amor, lutei por amar. Caí também. Mas o que isso serviu pra mim? Aprendizado. A gente nunca pode guardar rancor do que um dia nos fez muito feliz.
A gente sabe que depois tudo volta pra gente - como que dizem mesmo? efeito boomerang? É isso mesmo. Eu deixei que esse efeito pudesse me mudar, meses depois. Eu dei uma chance a mim mesma de voltar a ser o que eu já tinha deixado de ser por ter aprendido a estar com alguém e ser a única a sentir. Eu dei uma chance a mim mesma de me surpreender, de levar a ferro e fogo aquele desejo em que eu escrevi na minha carta de ano novo. Infelizmente, não foi a mesma coisa. Posso ter magoado alguém, posso ter realmente ter sido uma pessoa a qual eu não queria ter me tornado. Mas o que é a vida se não fases? E eu sabia que por mais que a outra pessoa passasse por momentos difíceis com isso, um dia tudo ia mudar, assim como um barco navegante mesmo sendo visto por uma distancia enorme, é visto navegando. Demora? Claro que demora, mas a gente sempre supera.
Passei por um momento no qual eu queria viver pra mim mesma, pensar no meu futuro, pensar no que me fazia bem, no que me levava a outras dimensões. Pensei exclusivamente em mim, e isso me levou aos melhores lugares. Me trouxe outro sorriso, me trouxe outro pensamento, outros horizontes.
Comecei a trabalhar, me foquei nos estudos, e adivinha? Nunca fui tão feliz. Eu me fiz feliz. Mudei os gostos, mudei meus ouvidos, mudei tudo o que saía da minha boca. Por dias escutava Arctic Monkeys, e por outros escutava Papas da Língua. Por dias passava um dia inteiro escutando McFLY, e por um dia eu tive a chance de finalmente conhecê-los.
Perdi uma pessoa maravilhosa, a qual nesse momento está muito longe de mim, e faz muita falta. Muita falta. E com isso também percebi quem estaria do meu lado no ano inteiro.
Ganhei pessoas novas, ganhei idéias novas e filtrei emoções.
Pelo começo de agosto me deixei levar por impulso e só com isso eu consegui ver que não importa o quanto algumas pessoas podem tentar esconder o que realmente são - algum dia tudo aparece. Só agora eu consegui ver que existem sim, pessoas as quais a gente não vale a pena lutar, porque simplesmente nunca souberam realmente valorizar as pequenas amizades, ou talvez, os novos amores. Que se orgulham da própria ignorância e saem por aí distribuindo sorrisos insinuosos de quem não sabe fazer nada a não ser viver mais a vida dos outros do que a sua própria vida.
Por começo de outubro, comecei a valorizar mais a inteligência, o charme e a sinceridade que pode estar contida em pessoas as quais a gente pode conviver tão pouco mas ao mesmo tempo pode aprender muito. Nesse mês eu tive medo - tive medo de escrever sobre amor na carta de final de ano.
Passou-se novembro, dezembro.. As coisas que eu mais pedi no ano eu consegui- eu tenho notas boas, eu tenho um ótimo trabalho e sou elogiada por isso. Amor? Amor eu tenho. Eu tenho amigos, eu tenho uma família, mas talvez aquele exagerado amor, vindo de só uma pessoa, "uma pessoa especial" o qual eu tinha pedido no começo do ano eu não tenha. Mas o que a vida sempre nos faz? Surpreende.
Ela nos traz momentos ótimos com uma só pessoa que pode nos fazer valorizar de novo alguns simples momentos os quais a gente nunca havia passado, e por isso tinha receio de passar. Essa vida - misteriosa vida - me faz sorrir de novo "que-nem-uma-boba".
Falta uma semana para o ano acabar. O que eu desejo pro ano que vem?
Eu apenas quero viver, viver intensamente. Colocar essa simples palavra "intensamente", ao lado de todos os desejos e vontades que eu tiver.
Tudo o que é intenso, é porque tem um motivo maior. O meu motivo maior pra viver intensamente em 2012 é QUERER viver intensamente.




